domingo, 3 de maio de 2009

Análise dos comentários sobre PA


Foram vários os comentários recebidos pelo grupo a respeito de nosso plano de aprendizagem, com um fio condutor em comum: o apreço pelo trabalho que o grupo 12 desenvolveu.
Comentou-se que ficou evidente havermos trabalhado de forma cooperativa, e que utilizamos os diversos meios disponíveis para tanto, não nos limitando a encontros presenciais, nem sempre possíveis para os membros do grupo em todas as datas pensadas. 

Uma colega citou a escolha do tema – objetos voadores não identificados – como sendo bastante inusitada para nosso curso, mas de forma elogiosa. Quanto ao tema, no mínimo é bastante arriscado escolher vida alienígena para um PA em uma universidade. Entretanto, justamente procuramos pelo desafio, pelo tema inusitado e, certamente, quase impossível de concluir. É difícil colocar em palavras o que significa iniciar um PA sabendo que não poderíamos oferecer uma página recheada de dados conclusivos, mas apenas mais e mais dúvidas que vão surgindo, posto que o assunto é bastante velado pelas autoridades e muitas vezes tratado como um assunto de menor importância por todos. 

Perguntou-se sobre as fontes... Como se trata de um assunto ridicularizado por parte significativa da comunidade científica e dos governos ao redor do globo, fica bastante complicado separar dentre as fontes encontradas aquelas realmente confiáveis. Evitamos sites de cunho meramente especulativo e privilegiamos grandes nomes como os grupos Discovery, History e CNN, além do brasileiro UFO, utilizando também várias publicações deste último para nossa pesquisa. 

Também foi comentado que nosso PA desperta o interesse de quem por ele passa. Nosso objetivo era justamente obter este gancho para as várias páginas que concluímos: despertar a curiosidade e o interesse pelo tema, instigando uma leitura de todo o projeto e, por que não, das páginas externas porventura sugeridas.

A primeira sugestão que nos foi dada diz respeito ao tema do projeto. Fiquei bastante confuso, pois a colega que escreveu sugeriu que colocássemos “o tema do projeto logo abaixo do titulo” do mesmo. Não entendi o que seria um “tema abaixo do título”. Se for algo como um subtítulo, penso que ficaria bastante interessante tal acréscimo. De qualquer modo, caso seja uma “explicação” para o que significa Projeto ONVI, também acredito que seja válida tal sugestão. Porém, necessitaria ter mais clareza a respeito da proposta deixada neste comentário da colega.

Foi sugerido também que organizássemos melhor a relação dos títulos na sidebar, mudança esta providenciada no exato momento em que se lia a sugestão. Aliás, com tais modificações, a visualização dos títulos ficou bem melhor.  

Uma última sugestão foi uma reflexão quanto a nosso mapa conceitual. A indicação recai sobre a necessidade do emprego de palavras como verbos para ligar diferentes conceitos. Como observei que realmente temos três palavras que não são verbos a ligar conceitos, basicamente é só editar o mapa conceitual, substituindo tais termos mal empregados, o que pode ser feito imediatamente.



Sem cinismo, por favor!

A inclusão que vejo na prática, sem máscaras, sem cinismo...
Na minha Escola, da rede municipal de ensino, o que ocorre efetivamente é: o aluno é matriculado e o professor precisa dar conta. O conto de fadas iniciou quando fizeram as rampas de acesso para cadeirantes, apliando-se também as portas das salas a fim de que as cadeiras de rodas passassem. Mas terminou por aí.
Estranhamente não há na Escola um aluno sequer que utilize cadeiras de rodas, mas temos alunos com síndrome de down e com alguma deficiência mental, todos ex-alunos da Escola Especial Cebolinha. Uma de minhas colegas relata que seu aluno com down faz as necessidades em plena sala de aula, para dizer o mínimo, quando está furioso. Este é o segundo ano dele na Escola e posso garantir que não vi avanços, inclusive no que diz respeito a esta característica incomum para mim.
Alguém pode me dizer: mas com a criança especial é assim mesmo, os avanços são muito sutis, extremamente lentos. É por isso que, francamente, sempre fui a favor da escola especial, na qual se matriculam alunos com necessidades educacionais especiais, com professores que tenham buscado formação específica, todos atuando em um universo com uma estrutura (recursos físicos, materiais e humanos) que a escola regular não tem, não tem, não tem e ponto final. Mas aí tem a lei que prega que toda a escola é inclusiva e, por extensão, as escolas especiais seguem cada vez em menor número.
Voltando ao aluno com down... Existe a afirmação, com a qual concordo, que este aluno especial precisa conviver com outras crianças, pois descobrirá deste modo a diversidade. Mas não creio que antes da inclusão eles desconhecessem o fato das crianças serem diferentes deles e seria muito cinismo dizer que uma criança down não tem qualquer contato com pessoas que não tenham a mesma doença, de idades variadas, caso não esteja "incluída" em uma escola regular.
Quando faço estas afirmações, passo a impressão de que não gosto da criança com necessidades educacionais especiais. Pois pelo contrário, meu carinho por eles é tamanho que pergunto: não seria mais sensato, inteligente, sensível e honesto para com estas crianças e seus pais criar e manter centros especializados em cada município? Ou estarão usando a inclusão com uma espécie de bandeira revolucionária na educação que visa ter lugar nos palanques políticos e discursos vazios de sempre???

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mosaico: primeiros passos

De acordo com o que foi descrito no webfólio da interdisciplina, na semana da Páscoa, fizemos um amigo secreto. Cada aluno deveria trazer um bombom para presentear a um dos seus colegas, exatamente o amigo secreto. Mas para revelar o amigo, quem tinha a palavra falava “o meu amigo é...” descrevendo o colega a partir das informações que estavam no "mapa das etnias e raças da turma 43", que foi nosso pré-mosaico. Assim, o aluno que tirou a mim descreveu-me da seguinte maneira: "o meu amigo secreto é descendente de portugueses e índios. A pele dele é branca, ele é de raça branca. O cabelo dele é liso e preto; os olhos são castanhos."



Preparando o Mosaico

Cada um dos alunos, após pesquisa juntos aos pais quanto à etnia, faz um desenho de si próprio e complementa-o com informações diversas sobre sua raça e origens.




Mosaico Étnico-Racial

Mosaico já concluído, no qual os alunos fazem uma auto-descrição de si mesmos. Nos balões acima dos auto-retratos, compartilham com todos sua etnia, cor do cabelo, da pele, dos olhos, etc. 





Raças e etnias


Esta semana que passou foi de muitas descobertas no que tange raças e etnias. Trabalhando com alunos do 4º ano, em uma turma que abrange criança dos 9 (nove) aos 14 (catorze) anos, pode-se imaginar a diversidade presente. E eis que trabalhamos ao longo da semana dois assuntos bastante controversos em qualquer grupo: etnia e raça. Os alunos, ao final do trabalho, construíram seus próprios conceitos de raça e etnia.

Para eles, etnia são “as origens de cada um, de que povo a gente vem, nossa língua e cultura”. Já o conceito de raça foi construído sobre a cor da pele, principalmente. Ainda segundo os alunos, através “do casamento pode acontecer a mistura de raças. Um índio pode casar com um negro.” 

É de inquestionável importância que os alunos comecem a pensar que somos todos o resultado de diferentes etnias e raças, ainda que humanos. Somos iguais? Sim, mas quantas de quantas diferenças resultamos, quantas nuances somamos!

No webfólio da interdisciplina sobre Questões Étnico-Raciais já toda uma descrição de uma atividade, inclusive com imagens, através da qual tais conceitos foram construídos.

Resumidamente, assim se deu o trabalho:

O ponto de partida do trabalho do mosaico foi uma pesquisa, com os alunos, das origens da Páscoa, pois percebi que não havia entre eles uma clara exatidão histórica. Da pesquisa, resultou um breve estudo dos povos judeus, egípcios, entre outros. 

Pesquisamos como diferentes povos comemoram a Páscoa. Neste momento, cada aluno tratou de inquirir junto as suas famílias acerca das próprias origens. Na aula seguinte, dispunham de informações como "descendo de portugueses e italianos e, por isso, tenho a pele branca e os cabelos castanho-claros". Nesse ínterim, cada aluno colocou alguns dados seus no que chamamos de mapa das etnias e raças: pouco mais do que o nome de cada um, seguido de informações que apurou junto a seus familiares.

 Na aula seguinte, utilizamos um grande espelho que é da aula de educação física. Neste os alunos podiam se olhar e descobrir detalhes sobre si memsos:

a) Qual a cor dos meus olhos?
b) Qual a cor dos meus cabelos?

c) Que lápis de cor é parecido com minha pele?

Particularmente achei fantástico que, a partir daquele momento, estava decretado pelos alunos, que o lápis de cor salmon deixara de ser sinônimo de lápis “cor de pele”, mesmo entre pessoas de raça negra.

Em uma folha de ofício os alunos deviam desenhar a si mesmos, respeitando as características estudadas – cor da pele, cabelo, olhos, etc, descrevendo-as em alguns balões semelhantes àqueles usados em historias em quadrinhos. Eu próprio fiz o mesmo trabalho o que agradou muito aos alunos.

O resultado evidente é que os alunos conhecem bem mais a respeito de sua história, pois buscaram por suas origens junto a seus familiares, refletiram quanto às diferentes culturas quês estudamos e, igualmente, segundo verbalizou uma menina de 9 anos, “a gente nota como tem gente deferente no mundo.”


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Inclusão nas escolas



Falar de inclusão é novo para a maioria de nós, pois o que tínhamos até então era o conhecimento de que as havia pessoas com necessidades educacionais especiais, e que também havia, em Gravataí, uma escola especialmente para elas: a Escola Cebolinha.

Para mim, e creio que para todo quase todos, estava tudo bem. Até que começou a cair o veu, pois para quem tinha uma criança na família a exigir bem mais atenção do que a maioria NADA estava bem. 

O problema não residia na Escola Cebolinha, pelo contrário. A questão começou a ganhar forma quando a proposta de inclusão foi adotada. Sentimentos de medo, estranhamento e confusão, normais diante do desconhecido, mesclaram-se ao desejo de poucos de trabalhar com os diferentes - esquecendo-se que diferentes todos somos quando comparados uns aos outros.

O processo iniciou-se, as escolas passaram a receber alunos que antes só teriam como destino a Escola Cebolinha e parecia que tudo caminhava para um resultado positivo. Particularmente percebo que as escolas não podem se eximir de sua obrigação, em nome destes novos alunos, de exigir comprometimento do poder público no que diz respeito a investimentos humano, pedagógico e material em todas ao longo de todo o ano letivo. Do contrário, apenas estarão as escolas permitindo que este governo se esquive da necessidade de construir escolas como a Escola Cebolinha, posto que aquela a muito esgotara sua capacidade de atendimento em razão da grande demanda.

Sou a favor da inclusão, mas atrelada ao respeito por estes novos alunos, garantindo-lhes não apenas um espaço físico exíguo numa sala com um mínimo de estrutura (ou nenhuma) para acolhê-lo. A construção de rampas em uma escola apenas garante o acesso de uma cadeira de rodas, mas não a inclusão daquela que dela necessita para deslocar-se. Visto que o papel da escola é o de fomentar um futuro igualitário, justo e sem preconceitos, a inclusão demanda bem mais que barras, portas largas ou um sanitário diferenciado, mas um cotidiano recheado de oportunidades pensadas em parceria pelas unidades de ensino e suas mantenedoras.

É imprescindível que a escola tenha todo um planejamento para que todos os alunos interajam entre si e que este aluno (de inclusão) seja parte integrante do grupo, não um apêndice, não um colega que despertará interesse nos primeiros momentos e, depois, será esquecido.

Aliás, assistindo ao programa Bom Dia Rio Grande de 15 de abril, em uma reportagem sobre inclusão veio de um aluno uma excelente definição de preconceito contra estes alunos, citando uma coleguinha sua: " Preconceito é deixar ela de lado." Quando ele afirma que deixá-la num canto silecioso - sem contato, afeto e interação - da sala é um sinal de preconceito, nos lembra que a primeira atitude é não mascarar as diferenças, não negá-las, mas aceitando-as ACOLHER a todos. 

domingo, 12 de abril de 2009

O Dilema do Antropólogo


Pessoalmente, sou fascinado pela Filosofia. Este amor pela sabedoria é uma definição que me seduz por completo.

Não conhecia o "dilema do antropólogo francês" e esta curta história fez-me pensar intensamente acerca da decisão tomada pelo seu personagem central.

Em resumo: Claude Lee chega a uma ilha da Polinésia a fim de estudar uma civilização que a habita. Os nativos acreditam que homens de pele branca são mensageiros dos deuses e que tudo o que disserem deverá ser obedecido. Ele mente acerca de sua real condição de mero e ordinário mortal, levando adiante a crença dos nativos, pois decide que o correto é alimentar esta crença já arraigada para evitar alguma interferência cultural.

A proposta da atividade é que nos coloquemos no lugar do antropólogo e decidamos qual decisão tomar...

Acho pouco provável que eu mentisse. Caso eu confirmasse ser um mensageiro divino, abriria precedentes para aqueles que chegassem posteriormente à ilha afirmarem qualquer brutalidade enquanto desejo dos deuses. Ou seja, minha mentira apenas garantiria que este povo permanecesse vulnerável a um "deus branco" que chegasse após minha partida. Porém, será que minha fala, isolada em um átimo de tempo em sua construção enquanto civilização, faria alguma diferença? O que considero é que este povo talvez considerasse uma blasfêmia o que eu viesse a dizer contrário as suas crenças.

Mas sinto a angustiante necessidade de contribuir com uma alternativa; alguma que não contrariasse meus princípios (estranho: o antropólogo mentiu em nome de seus princípios). Como a verdade em qualquer circunstância é um princípio irretocável para mim, à pergunta que me fosse feita eu responderia não ser um deus ou mensageiro de algum, ainda que da cor dos deuses (e por que os deuses precisam ser brancos afinal?). Afirmaria que sou filho de um deus, o que não seria mentira, pois além de tal afirmação não ferir meus princípios, está de acordo com minha fé religiosa.

Contudo, há um senão nesta minha afirmação: como eu poderia afirmar ser filho de um deus - uma verdade sob meu ponto de vista - e não revelar-lhes que eles também o são segundo esta mesma fé? Estaria eu incorrendo na omissão, escolha que não me parece melhor que a mentira.

Mas como a questão me parece ser a importância incontestável de não macular a cultura deste povo, entre a mentira e a omissão, neste caso em particular eu optaria pela segunda, pois a primeira traria como consequências a dominação estrangeira, bastando apenas uma questão de tempo para tal.

Como não acredito que os fins justificam os meios e que mentir possa fazer parte do cabedal de princípios de uma pessoa, não posso aceitar tal decisão como sendo a melhor para a civilização da ilha polinésia. Basta atentar para a afirmação "o antropólogo mentiu porque é fiel a seus princípios."

Reitero o que antes afirmei: minha palavra, isolada em um átimo de tempo, não fará significativa diferença para esta civilização. Talvez até considerassem uma blasfêmia se eu negasse ter alguma ligação com os deuses. É possível afirmar que se tem um elo com os deuses, mas não usando o manto da mentira. Em suma: não sou dos deuses um porta-voz, mas deles descendo. Contudo, tenho que considerar que tal revelação poderia ser ainda pior sob certo ponto de vista, pois ser filho dos deuses poderia, aos olhos polinésios, conferir ainda mais poder ao homem branco. 

Eu próprio experimentei um dilema ao tecer minhas considerações anteriores, pois se sou descendente dos deuses, também eles (o povo) seriam, de acordo com minha fé cristã. Entretanto, passados os primeiros dias da atividade, ainda angustiado com tal questão, percebi que eu não precisaria omitir nem mentir. Quando afirmo que descendo dos deuses, o faço porque esta é minha cultura. Não há uma única prova de que seja verdadeiro; apenas creio. 

Procurando resolver o dilema "se sou filho dos deuses eles também o são, e não quero mentir nada acerca de minha suposta divindidade, mas também não é meu desejo feri-los em sua fé", ponderei:

Como esta civilização não tem a mesma fé e cultura, basta que eu diga que sou filho dos deuses, assim como os demais homens brancos o são - portanto, respeitando minha crença, não mentindo - não havendo necessidade de dizer-lhes que também são filhos deste mesmo Deus, pois isto é o que minha fé prega, não a fé deles. Respeitando a fé alheia, ou seja, não interferindo com uma mentira ou omissão, não os estarei expondo à exploradores sem escrúpulos, nem sequer maculando-os no que acreditam. Ao afirmar que descendo dos deuses, amplio sua perspectiva acerca do homem branco. 

Qualquer interferência é danosa, mesmo quando intenta fazer o que acha correto. O que é o certo afinal quando as culturas são tão distintas? Não resolvi o dilema, de modo algum, pois seria muita presunção de minha parte. Contudo, afirmo que a mentira a permanecer se torna um esteio para a futura e inevitável escravização.

Existe uma imensa incongruência entre seguir princípios e mentir. Exceto se um dos princípios daquele antropólogo fosse justamente uma vida envolta em farsa e dissimulação. Mas não posso teimar e parecer um obtuso: seu princípio segue sendo não macular culturas.

Existe um paradoxo nesta situação: a mentira e os princípios. E o paradoxo é justamente essa impossibilidade da mentira caminhar de mãos dadas com o que entendemos por princípios morais.

domingo, 5 de abril de 2009

Preconceitos Legitimados Cientificamente


"A proposta inclusiva, apesar da ênfase na atenção ao aluno, no respeito à diversidade, não deixa de ter como objetivo último aproximar da normalidade, o máximo possível, todos aqueles que se distanciam de um padrão esperado." Marcia Imaculada de Souza - Pesquisadora pela CAPES

No fórum de Educação de Pessoas com Necessidade Educacionais Especiais lancei um questionamento, aceito, para os integrantes do grupo: o que significa o termo encontrado em nossas leituras: preconceitos legitimados cientificamente.

No momento em que deparei-me com a expressão, realmente não tive um significativo alcance de seu significado e abrangência. Obviamente fui pesquisar a respeito e percebi que ainda estão presentes em nossa sociedade várias posturas legitimadas.

E foi em um artigo da pesquisadora supra citada que encontrei argumentos extremamente convincentes acerca do papel da psicologia e das ciências como um todo no estabelecimento e na garantia de padrões de normalidade para cada época.

A igreja e a psicologia, sempre estabeleceram parâmetros de normalidade e moralidade, os seja, o que seria aceito perante Deus e numa convivência em sociedade. Os exemplos estão presentes em toda parte de nosso cotidiano, como nestes dois casos muito próximo, mas com um detalhe que os diferencia:


a) A professora de 40 anos (ou mais) que se vê diante da pergunta – a senhora não casou por quê? – percebe o estranhamento no semblante de quem lhe dirige tal questionamento;
b) Para uma mesma situação, o professor de uma mesma faixa etária e homossexual, percebe que se acrescenta ao constrangimento de uma questão tremendamente pessoal uma possibilidade de vir a ser revelado – caso ele tenha optado por manter-se discreto a respeito – o que pode reverter-se em contínuas razões para chacotas, todas amparadas por um preconceito legitimado cientificamente. 

Até a década de 1980, a homossexualidade ainda figurava como doença para a OMS (para algumas igrejas, ela continua sendo tratada como tal, para dizer o mínimo) e, portanto, era cientificamente justificável, para uma maioria, que os homossexuais fossem discriminados.

No caso das doenças mentais, o mesmo se aplica. Tanto a denominação – doença mental – quanto a forma de encará-las e oferecer pesquisa, tratamento e aceitação do portador é resultado de uma construção histórica. É imprescindível nos inteirarmos da psicologia e da sua história, pois sua prática é sempre observada quando se toma decisões tanto na área pedagógica quanto na criação de inúmeras normatizações que regem nossa prática. 

As ciências humanas historicamente tiveram por papel prever processos tanto de uma sociedade quanto do indivíduo, novamente para legitimar, cientificamente, o que era do interesse de alguns. De uma maneira bem simples de entender: soa como se a psicologia e as ciências sociais pregassem que alguns indivíduos – a burguesia da época – têm condições de se desenvolver mais e melhor, enquanto outros – o proletariado – não carrega em si semelhante bagagem genética, cultural, social, etc. E estava “explicada” a desigualdade. 

Sob uma ótica positivista, tanto as ciências (e aqui entenda-se também a psicologia) quanto a educação acabam por definir quem pode ou não avançar a um estágio seguinte, pois para ambas os indivíduos precisam se adequar, ou não há qualquer garantia de sucesso. Eu perguntaria: mas e para quem existe esta garantia hoje em dia? 

Penso que houve mudanças na forma como nos relacionamos com as deficiências, mas não se alteraram os padrões de normalidade. E quando se fala em aceitação – termo extremamente preconceituoso – ou inclusão, por vezes temo que se esteja a pintar a dura realidade com cores que apenas tornem o quadro mais palatável. Os negros, os homossexuais, os deficientes, etc, permanecerão sob a égide do não pertencimento, se pobres, bem entendido. 

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Reflexão inicial de semestre



Cada encontro presencial tem sido uma surpresa, não é mesmo? Gostaria de destacar dois assuntos que particularmente sempre considerei difíceis ou desinteressantes de trabalhar e/ou refletir e que, após os encontros, ganharam uma nova face para mim. Cito quais e explico a razão para a mudança...


O primeiro é a questão racial. Nunca foi de meu interesse estudar a respeito. Tem quem erga bandeiras em praça pública, mas esconde seus preconceitos (de todo tipo) em seu íntimo. Sempre optei pelo não-preconceito nas pequenas ações do cotidiano, evitando comentários e posturas preconceituosas. Foi então que chegou aquela professor de nome Fernando e que me fez lembrar o que é ministrar um show de aula. E ele não ofereceu um espetáculo no sentido pirotécnico, pelo contrário. Refiro-me a seu carisma, conhecimento e sensibilidade para sentir o momento dos seus alunos, deles arrancando que "não é feio" admitir que acha este um assunto enfadonho. E o resultado particular: fez com que eu abrisse espaço para o tema em minha vida de professor e aluno.


É que o professor tocou num ponto importante, mesmo sem expor tão explicitamente o que afirmo: de nada adianta um tema ser lei (a qual nos orienta a trabalhar sobre questões raciais em sala de aula), se os professores não se sentem motivados a explorá-lo. Tanto podem sequer tocar no assunto, e sabemos que vai ficar nisso mesmo, quanto entregar uma folhinha com algum texto e desenhos e, absurdo igual, consideram que o assunto foi trabalhado, como se o tema tivesse a importância de um feriado de carnaval para o ano letivo. Parabéns por me fazer refletir, professor.


Outro tema diz respeito às necessidades educacionais especiais. No meu wiki contei o que já vivi (pouco, mas significativo para mim). Este me parecia outro daqueles alertas do SSE tipo "agora tem que ser feito porque tem um decreto tal que obriga" e que, por este motivo, já começa errado. A professora Daniela, com toda a propriedade, conhecimento e, por que não, mão firme, instigou-me a pensar com profundidade acerca do aluno portador de deficiências. E gostei muito quando, na aula de terça, dia 31 de março, ela me ouviu comentar - baixo - que "para que esses pudores em falar a palavra deficiências?" se quando usamos o termo não é para machucar alguém. No mesmo instante e sem estardalhaço, apenas olhou-me diretamente e disse "isso". Soou como uma confirmação de que eu estava, na minha opção pela transparência, acertando nas primeiras decisões acerca de um assunto tão difícil para quem nele adentra pela primeira vez.


Quando me referi que "não está errado dizer a palavra deficiente na nossa sala" é porque é totalmente diferente de olhar para alguém com vários quilos a mais do que orientam os nutricionistas e dizer "seu goooooordo", ou para um deficiente visual e caçoar com apelidos como "e aí pirata, tudo bem?". Do mesmo modo não estou pregando que, a partir de agora, quando estivermos conversando com os colegas de um novo aluno que chega o apresentemos como "pessoal, este é o Paulo, ele é deficiente." Este ponto final após o termo "deficiente" seria de matar (matar a professora e a auto-estima do colega novo). Não daria apenas para dizer que ele usa uma cadeira de rodas (cadeirante segue um termo que AINDA soa desejoso de ser politicamente correto mas virou quase palavrão)? A bem da verdade, se a professora parar por aí, ou seja, apenas dizendo que o Paulo usa cadeira de rodas, estando o Paulo a seu lado e na frente dos alunos, supõe-se que ou o Paulo deixou a cadeira em casa e veio planando (e por isso a turma precisa ser informada a respeito) ou que a professora trabalha apenas com alunos deficientes visuais.


Aprecio os termos que não machucam, também conhecidos como politicamente corretos. Sou 100% a favor. Entretanto, que ninguém em nossas escolas venha policiar-me quando eu utilizar "fulano é deficiente visual", porque a palavra deficiente pode ferir sua auto-estima. O que fere DE FATO alguém é o descaso alheio, é o sentir que os outros fazem de conta que se importam, é notar que sempre fica para depois o seu momento, é perceber, enfim, que todo o seu entorno afirma cotidianamente que quem deve se adaptar é o ser humano, jamais as instituições, as máquinas, os costumes e, óbvio, os demais seres humanos.


Para concluir, um protesto dirigido a todos aqueles que usam aspas ao falar "normal" ou, pior, cansam a atenção de seu ouvinte ao chamar os não portadores de deficiência de "ditos normais". Agora eu me tornei um "dito normal". Não tenho deficiência visual, auditiva, cerebral, ... nenhuma. Por isso, tornei-me um "dito normal" quando se referem a mim. Ou será que ninguém ainda escutou (ou falou) algo como "na sala da turma 21 tem dois alunos com deficiência auditiva. Mas todos os outros, ditos normais, ajudam os coleguinhas nas tarefas." (?) Não daria apenas para retirar o "ditos normais"?


Politicamente correto: SIM. Zeloso para com o outro: SIM. Cuidadoso com as palavras: APOIADO. Mas sem excessos por parte de nenhum de nós.

sábado, 28 de março de 2009

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Reflexão-síntese



Estamos praticamente concluindo mais um semestre. Este segundo de 2008 convidou-nos a pensar a escola, seus atores, dinâmicas e mantenedores. Pensar os espaços de discussão, a gestão da instituição e as formas como ocorrem as relações de responsabilidade.

E neste momento de reflexão, percebo o quão distante minha Escola encontra-se de colocar em pauta (no currículo) questões que estão presentes em seu cotidiano, mas seguem encobertas por um manto de cinismo, hipocrisia e medo.

  • Temos dependentes de drogas, mas opta-se por falar nas drogas, não no ser humano;
  • Temos homossexuais, mas seguimos ouvindo risadinhas, difamações e toda a sorte de comentários próprios de um ambiente qualquer, menos pedagógico;
  • Temos os "incluídos", os quais permanecem "aliens" enquanto não se tem bem claro o que se faz com este (e neste) novo perfil de escola;
  • Temos ex-detentos, os quais freqüentemente são apontados como bandidos e não como colegas de classe;
  • Temos prostitutas, as quais permanecem à sombra e caladas, mesmo sob a forte iluminação artificial das salas de aula;
  • Temos adolescentes entre crianças, os quais são alvo de comentários de pais indignados com a "má influência" destes para com seus filhos;
  • Temos denúncias quase que diárias de que armas circulam dentro da Escola, mas seguimos lecionando sob a égide do medo, fingindo não sentí-lo, afirmando que isso é normal.. normal?

Minha Escola tem gestão democrática, recursos excelentes, uma equipe que admiro, alunos com os quais tenho excelente relacionamento,... mas ainda tem muito a agregar em seu currículo, principalmente ousadia e coragem.

domingo, 23 de novembro de 2008

Contadores de Histórias


Tendo participado da formação promovida pela UNESCO, Museu da Pessoa e Educarede, nossa Escola está engajada na campanha Toda Escola Tem História Para Contar.

O vídeo a seguir é apenas uma pequena parte do que já foi feito no Áurea. São histórias de vida que precisam ser conhecidas. Ou você poderia imaginar que leite materno misturado em um determinado produto deixaria o cabelo de nossa contadora de histórias com um brilho magnífico?

Estas e outras histórias abaixo...

Vídeo com alunos da Escola


Toda Escola Tem História Para Contar from Paulo Medeiros on Vimeo.

Campanha TODA ESCOLA TEM HISTÓRIA - As imagens

Dia da Consciência Negra

Alunos cantam: "Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, será que ela..."


Raramente trabalhamos, em minha Escola, de forma isolada, com cada professora em sua sala de aula e alheio ao que ocorre nos demais componentes curriculares. Neste dia 20 de novembro - Dia da Cosnciência Negra - não adotaríamos outra postura senão a prática interdisciplinar.

No trabalho interdisciplinar, tem-se um eixo integrador, a partir do qual as diferentes áreas do conhecimento trabalho com o intuito de atingir objetivos previamente estabelecidos.
Professores que coordenaram os trabalhos na Escola

O que se viu por ocasião das exposições foi um imenso número de trabalhos, desde bolos servidos a todos que visitavam os estandes, assim como maquetes, máscaras, painéis, cartazes, números da dança, músicas, entre outros.

Máscaras africanas representadas em painéis

Percebo que nossa Escola já fez sua opção pedagógica, na qual busca fugir de um currículo fragmentado e engessado (inflexível), tornando suas ações portas para a construção da aprendizagem de forma orgânica, participativa, dinâmica e significativa.

A população negra: utilização de pet, papéis diversos, madeira, lã, etc.

Toda Escola Tem História Para Contar


Neste sábado, 22 de novembro, ao longo de todo o dia nossa Escola sediou um encontro para contadores de histórias. Contudo, não se tratava apenas de reunir pessoas para contar qualquer história... Mas a sua história!


Com o mote Toda Escola Tem História Para Contar, a EMEF Áurea Celi Barbosa, em Gravataí, recebeu professores, oficineiros e funcionários de várias escolas do município, além da Secretária de Educação e parte da equipe da SMED.

Particularmente, foi uma alegria encontrar a professora Hilda Jaqueline de Fraga (foto abaixo), a qual nos brindava com magníficas aulas e propostas de pesquisa no PEAD. Senti-me honrado por trabalhar a seu lado no lançamento desta campanha, a qual visa resgatar em cada membro da comunidade escolar sua própria historicidade.

Logo na abertura dos trabalhos, chamei a atenção para o fato de não nos reportarmos a uma história patrimonial de nossas escolas. Tal postura desacomoda-nos daquela posição de platéia, a qual assiste à paredes que são erguidas, janelas dispostas aqui e ali, portas, dependências em geral. Estamos a contar a história de cada um de nós, na medida que somos parte de nossas escolas, somos nós que a constituímos. Deixem professores, pais, funcionários e alunos de freqüentar a escola e o que teremos? Nada mais, exceto o patrimônio físico erguido por determinada administração.


Neste sentido, de antemão havia desenvolvido com meus alunos a técnica da roda de histórias, na qual cada um relatou uma história vivenciada e que muito o marcou. Os resultados (os "produtos") foram um varal de histórias e uma coletânea de vídeos em DVD, a qual abriu o encontro.



Com o apoio da UNESCO, do Museu da Pessoa e da SMED, nosso projeto justamente busca trazer à tona histórias sufocadas pelo anonimato, posto que vivemos numa sociedade afeita em demasia ao culto de celebridades e suas histórias sempre repetitivas, as quais com insuportável freqüência giram em torno de dietas mirabolantes, ilhas, separações e casamentos quase que ao vivo, em rede nacional de televisão.


Entendendo a escola como "espaço eleito socialmente de produção e socialização dos saberes de uma sociedade" (Educarede), este é um projeto que reconhece, resgata e valoriza a história (o conhecimento) de cada personagem deste espaço.

sábado, 15 de novembro de 2008

Fórum de Organização e Gestão da Educação




A você que chegou até aqui, duas perguntas:
1. Qual o grau de insegurança que você experimenta em seu local de trabalho?
2. As seguidas reportagens de violência nas escolas que a TV exibe já bateram à sua porta ou, pior, em sua face?

Com uma certa freqüência, a televisão tem mostrado cenas de violência contra professores e uma flagrante impunidade favorecendo os alunos agressores. Ainda que amparados por lei, a qual pode inclusive privar da liberdade o agressor, o professor parece ignorar que seu silêncio, apatia e anuência alimentam aquele que o fere.


Imaginem os colegas o que é estar em uma sala de aula, com um número considerável de alunos, sabendo que qualquer um pode estar com uma arma. Esta foi a atmosfera de trabalho em minha Escola nesta semana. Em retrospecto, foi a semana mais difícil em duas décadas de magistério sob minha ótica particular. O quão mexe na psique de um professor o aviso de que chegou uma denúncia nada anônima na Escola (foi feita presencialmente) de que VÁRIOS alunos entraram armados naquele horário para vingar um amigo que fora agredido na véspera? Podem estar certos que mexe, e muito, com o emocional de qualquer um.


Fomos para as salas com um estranhamento que, sabemos, tem nome: inadequação. Uma miríade de sentimentos tal que, em resumo, afirmo: estávamos com medo e, ao mesmo tempo, indignados. Meu planejamento para aquela noite era o trabalho com adjetivos (em inglês), utilizando fotografias de revistas, as quais os alunos colariam no papel pardo, escrevendo ao lado qual o adjetivo que tal imagem evocava.


Cada um aqui no PEAD sabe o quanto nos preocupamos com nossos alunos, a ponto de dar prosseguimento ao planejado, sem revelar-lhes que seus professores trabalhavam sob a égide do medo. Mas medo de quê? Ora, medo da morte – bala perdida não faz distinção de caráter, não separa aluno, professor e bandido.


Mas tínhamos orientação clara da equipe diretiva de avisarmos os alunos a respeito, algo que optei por fazer mais para o final da aula, enquanto a direção chamava a Brigada (que não veio) e a Guarda Municipal, a qual nos atendeu prontamente. A quem não passou por tal experiência – trabalhar com a certeza de que alunos estão com armas em seus bolsos imensos nas suas calças largas (uma espécie de uniforme entre eles, o qual os identifica de algum modo) e sair da escola escoltado pela Guarda – posso assegurar que revolta tremendamente.


Ao amanhecer, a Brigada procurou por armas ao redor da Escola. Repito: ao amanhecer, ou seja, horas e horas depois.


Na noite seguinte a denúncia repetiu-se. Novamente aquela sensação de impotência e desamparo, de pouco caso por parte do empregador, para os quais somos quase nada além de um mero número de matrícula para fins de folha de pagamento. Enquanto nos preparávamos para deixar a Escola, após o horário regular das aulas, ouvimos três disparos. Poucas quadras além da Escola tentaram balear um aluno. A bem da verdade, alunos X alunos.


Não sei se meu retorno na noite seguinte foi por garra, determinação ou força, como alguns aqui afirmam ser características do educador. Talvez tenha sido apenas um misto de responsabilidade (em função dos alunos) com necessidade (em função do emprego) e insensatez (definitivamente teve muito de insensatez). Colegas confessaram estar medicados com ansiolíticos, tranqüilizantes, além de toda a espécie de chás que prometiam alguma serenidade interior. Mas a noite nos reservara uma verdadeira selvageria após soar o sinal do término das aulas: alunos, revoltados com um pai que bateu no enteado, e que também é aluno, armaram uma emboscada, com o objetivo de passar-lhe uma lição como jamais vira.


Impossível descrever a gritaria, o som dos socos, os ruídos de toda espécie provocados por pancadas, chutes, pauladas e, felizmente, nenhum tiro. Eu e meus colegas estamos extremamente chocados com o ocorrido. E o empregador?


Uma colega do PEAD - Carmem Valéria - em postagem anterior a minha pedia autorização dos colegas para levar ao Sindicato que representa os professores de Gravataí as nossas falas. Valéria afiançava que resguardaria a autoria das mesmas, algo que em meu caso particular dispenso. Eu acato totalmente a sugestão de tornar as postagens do fórum uma denúncia. Vou além: penso que o fórum em questão deveria ser um permanente espaço de trocas, pois as máscaras caíram todas ao longo de páginas que não cessam de ser acrescidas. Não li sequer um único blábláblá, verborragia desnecessária quando o que se almeja é a transparência.


Dada a importância do conteúdo do conteúdo do fórum, acredito nele como ponto de partida para uma publicação. Gasta-se tanto em livros tão ruins, vazios, e que nenhuma relação guardam conosco, que um livro sobre o cotidiano desnudo da educação, escrito por quem está na linha de frente (não apenas em gabinetes herméticos), está mais do que na hora de ser disponibilizado.

O tempo de cada um




Grupos são dinâmicos, definitivamente dinâmicos e distintos. A experiência no desenvolvimento de um tema em grupo traz movimentos de toda sorte, posto que as pessoas envolvidas têm motivações em diferentes graus e disponibilidade de horários que nem sempre estão sob sua tutela.


Ainda que a motivação em torno de um tema nos aproxime, o desenvolvimento do trabalho mostra ser necessário bem mais que uma simpatia pelo tema. Comprometimento com o trabalho e para com os próprios colegas complementam este alicerce indispensável no desenvolvimento de um projeto de aprendizagem.

Cientes de que os maiores dentre os objetivos são justamente a forma de trabalho e o comprometimento de cada integrante aos acordos previamente estabelecidos, o desenvolvimento do tema dá-se de modo que cada um assuma diferentes papéis, mas ainda assim trabalhando em torno de um foco comum.


Esta descentralização proporciona ora tranqüilidade ora apreensão por uma certa morosidade por parte de algum colega, o que não é difícil que venha a ocorrer. É assim que redescobre-se, neste momento, a importância de respeitar os tempos de cada pessoa. Enquanto um determinado elemento do grupo não espera qualquer cobrança ou sinalização do que necessita ser feito, convive-se com outro que não conhece exatamente o ponto de partida. É a saudável pluralidade, que nos cobra serenidade, compreensão e humildade.


Indispensável ter interiorizado que se respeitará o momento de cada colega, posto que as pessoas têm tempos diferentes. Não me refiro à diferentes cargas horárias, mas a distintos insights que nos assolam em etapas diferentes de um mesmo trabalho. Cada um pode experimentar o quanto a motivação, a persistência, o olhar crítico sobre um determinado material e o tempo disponibilizado para a pesquisa são determinantes para a qualidade do trabalho. Nada pior que acessar o resultado de uma extensa pesquisa e não se enxergar enquanto membro ativo no resultado ali publicado. Em contrapartida, um comentário assertivo que foi aproveitado, um link sugerido que possibilitou uma linha investigativa em inúmeras outras fontes ou uma despretensiosa fala que inspirara a criação de toda uma página no wiki, são diferentes formas de agregar valor ao projeto desenvolvido e que alimentam aquele que se permitiu tal movimento.

sábado, 8 de novembro de 2008

Projeto de aprendizagem - Depressão



Quando pensei a respeito das conclusões para o projeto de Psicologia, imediatamente ponderei, no wiki, sobre as considerações finais a respeito do tema escolhido. Entretanto, ao receber o e-mail da professora Simone, ficou claro que o caminho a seguir neste momento quase final do semestre é bem distinto.


Olhar para a justificativa do projeto e os objetivos estabelecidos, analisando se os mesmos foram contemplados, é o chamamento que nos foi feito. Pensar acerca das descobertas que o trabalho proporcionou aos integrantes do grupo, e não necessariamente em tecer um texto que represente um apanhado do wiki, esta sim é uma excelente proposta para reflexão.


Como acredito que optamos por um tema em função de familiaridade ou curiosidade em relação ao mesmo, a escolha por DEPRESSÃO levou-nos a procurar entender o que exatamente ocorre com aquele que se vê acometido por tal doença.


Nosso grupo destacou o que realmente é a depressão, diferenciando-a de tristeza. Pesquisamos os processos que a desencadeiam, assim como os sinais (sintomas) presentes em um indivíduo deprimido, com nuances de pessoa para pessoa. Notamos ser necessário ouvir tanto paciente quanto terapeuta, o que nos motivou a entrevistar ambos. Disponibilizamos ainda vídeos, dicas de livros e filmes que abordam o assunto. Por fim, destacamos os tratamentos indicados, mas cientes de que há uma gama ainda maior, porém pouco divulgada na mídia e nos meis acadêmicos: yoga, acupuntura, entre outras terapias não por acaso chamadas "alternativas."


A depressão, concluímos, afeta as atitudes do deprimido e as relações com as pessoas a seu redor, posto que a família como um todo adoece com seu ente querido. A doença afeta igualmente relações profissionais e afetivas, dado que altera o humor, o físico e o pensamento de quem se vê em estado depressivo.